A história do Karate é marcada, primordialmente, por grandes mestres que moldaram a arte como a conhecemos hoje. Entre os mais influentes estão Mabuni Kenwa, Funakoshi Gichin, Miyagi Chōjun e Ōtsuka Hironori — nomes que não apenas fundaram estilos consagrados, mas também contribuíram com ensinamentos, livros, técnicas e filosofias que atravessaram gerações. Neste artigo, conheça a trajetória e o legado desses 4 grandes mestres do Karatê tradicional.
Mabuni Kenwa:

Mabuni Kenwa (1889–1952) nasceu em Shuri, Okinawa, e é conhecido como o fundador do estilo Shitō-ryū. Treinou com uma impressionante gama de mestres, como Itosu Ankō, Higaonna Kanryō assim como, Aragaki Seishō e até mesmo com o mestre de Aikidō, Ueshiba Morihei. Isso lhe permitiu integrar diversas influências no estilo que fundaria mais tarde.
Diferente de outros mestres que focaram em sintetizar o Karate, Mabuni buscava preservar os estilos originais. Dessa forma, isso se reflete na grande quantidade de kata clássicos e novos que compilou e criou. Entre suas contribuições mais notáveis estão a fundação da Ryūkyū Tōde Kenkyū-kai, assim como a criação dos kata Shinsei, Aoyagi, Jūroku e a consolidação do Shitō-ryū como estilo oficial no Japão.
Também escreveu livros técnicos de grande valor histórico e foi um dos primeiros a ensinar Karatê em universidades japonesas, elevando o nível acadêmico e técnico da arte.
Funakoshi Gichin:

Funakoshi Gichin (1868–1957) é, sem dúvida, um dos nomes mais conhecidos do Karatê. Considerado, pelos praticantes de shotokan, o Pai do Karatê Moderno, fundou o estilo Shōtōkan, e foi o grande responsável por levar o Karatê de Okinawa ao Japão continental. Seus principais professores foram Itosu Ankō e Asato Ankō.
Além disso, Funakoshi promoveu diversas reformas que ajudaram a adaptar o Karatê ao contexto moderno: instituiu o sistema de graduação kyū/dan, criou o uniforme (karatê-gi), adaptou os nomes dos kata para o japonês, além de introduzir uma visão mais filosófica com o Nijūkun – os 20 preceitos do Karatê-dō.
Ele também publicou obras fundamentais como “Karate-dō Kyōhan” e “The Twenty Guiding Principles of Karate”, que continuam sendo leitura obrigatória para praticantes sérios.
Miyagi Chōjun:

Miyagi Chōjun (1888–1953), nascido em Naha, Okinawa, foi o criador do estilo Gōjū-ryū, que combina a força (“Go”) e a suavidade (“Ju”) no combate. Discípulo de Higaonna Kanryō, Miyagi foi um dos primeiros a sistematizar e nomear um estilo de Karatê com base em princípios filosóficos e técnicos.
Sua busca por equilíbrio entre poder e fluidez resultou na criação de kata como Tenshō (voltado à respiração e fluidez) e Gekisai (voltado ao ensino básico). Dessa forma, também desenvolveu os Junbi-undō, exercícios preparatórios que tornaram o treino mais acessível e seguro
Miyagi foi um divulgador do Karatê no Japão e um dos primeiros mestres a apresentar a arte como ferramenta educacional e de saúde. Seu trabalho ajudou a estabelecer o Karatê como disciplina universitária.
Ōtsuka Hironori:

Ōtsuka Hironori (1892–1982) foi um mestre inovador que trouxe uma abordagem única ao Karatê ao fundir suas habilidades em Jūjutsu com a técnica do Karatê de Okinawa, fundando o estilo Wadō-ryū.
Discípulo de Funakoshi Gichin, Mabuni Kenwa, e também praticante de Shindō Yōshin-ryū Jūjutsu.
Ōtsuka acreditava que o combate eficiente envolvia mais do que bloqueios e ataques lineares. Incorporou esquivas, contragolpes e o uso do corpo inteiro em movimentos suaves, inspirados também pelo Aikidō. Ele fundou a Dai Nihon Karate-dō Shinkō-kan e publicou obras como Karate-dō Volume 1 (Kata) e Volume 2 (Kumite), que detalham a visão tática de seu estilo.
O Legado dos Quatro Pilares do Karate:
Cada um desses mestres deixou um legado distinto e duradouro. Mabuni preservou os kata tradicionais; Funakoshi popularizou e modernizou o Karate; Miyagi combinou força e suavidade; e Ōtsuka trouxe uma nova abordagem fluida ao combate. Seus estilos – Shitō-ryū, Shōtōkan, Gōjū-ryū e Wadō-ryū – continuam entre os mais praticados no mundo até hoje.
Conhecer a trajetória desses mestres é essencial para todo praticante que busca compreender o verdadeiro espírito do Karate-do.
Referências:
ANDRETTA, Denis Augusto Cordeiro. KARATE-DŌ SHITŌ-RYŪ, VOLUME 02, Porto Alegre/RS. – 1999